





Te dizer que #euri. Vi no Vida Ordinária.
Sandro Korn, o MC Sapinho de Israel, é o caçula de uma família de 4 irmãos e foi pra Israel depois do seu irmão mais velho fazer a aliyah (palavra que designa o processo pelo qual os judeus de outros países migram pra Israel) em 2000. Chegando lá, viveu no kibutz Ein Schofet, mas não teve tempo de se estabelecer: apenas 4 meses depois teve de servir o exército. Serviu dois anos na fronteira com o Líbano em um batalhão de artilharia antiaérea.André Leones
"A luz não é das melhores, mas é possível ver o que está à frente e ao redor sem muitos problemas. No palco o cantor, duas dançarinas e o DJ com a parafernália de praxe. A galera dançando ao ritmo de funk carioca pode dar a impressão de que estamos na Cidade de Deus ou no Andaraí, mas não é o caso.
Estamos no Rich Mar, em Tel Aviv. Na platéia, brasileiros residentes ou de passagem pelo país cantam todas as músicas, coisa que não intimida os nativos e outros presentes no local. Pelo contrário: graças à música, a babel improvisada acaba por se tornar a mesma e única festa, como se todos ali farreassem juntos há tempos. Alguém poderia argumentar que se trata de uma característica da noite de Tel Aviv, cidade que, junto com a libanesa Beirute, é a mais cosmopolita do Oriente Médio, um ambiente secular se comparado ao de Jerusalém. Mas isso não importa. À medida que cantor, DJ e dançarinas incendeiam o lugar com uma sucessão de hits reconhecíveis mesmo por aqueles que não curtem a batida, temos a impressão de estarmos em um autêntico baile funk no coração da noite carioca.
Majestoso, gorducho, quem está no centro do palco fazendo o seu terceiro show naquela noite é o MC Sapinho de Israel. Careca coberta por um boné, camiseta larga e calça jeans enfileira frases e versos em português e hebraico. Está em seu elemento. O público percebe e canta com ele versos como: Na minha casa / O mal não vai entrar / Tem a bíblia e o alcorão / e na porta o Mezuzá". Todos ali parecem concordar alegremente que o "O bonde mais sinistro / É Jerusa e Nazaré". Assim, MC Sapinho segue em suas palavras, "introduzindo a cultura do funk" na pátria de Amoz Óz e Shimom Peres [...]"
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos .
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!""A gente não faz amigos, reconhece-os."