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segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de Março, Dia internacional da mulher!


Não podia faltar nesse dia que é tão especial, a homenagem do Salada pra vocês mulheres!
Vou deixar vocês com as sabias palavras do poeta Victor Hugo (que não é o nosso amigo saladeiro!).

O homem pensa.
A mulher sonha.

Pensar é ter cérebro.
Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano.
A mulher é um lago.

O oceano tem a pérola que embeleza.
O lago tem a poesia que deslumbra.

O homem é a águia que voa.
A mulher, o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.

O homem tem um farol: a consciência.
A mulher tem uma estrela: a esperança.

O farol guia.
A esperança salva.

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
A mulher, onde começa o céu!!!
"Quando você partir, em direção a Ítaca,
que sua jornada seja longa,
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não temas Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon;
Você não ira encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar seu corpo e seu espírito.
Laestrigones e Ciclopes, e o furioso Poseidon
não estarão no seu caminho
se você não carregá-los em sua alma.
se sua alma não os colocar diante de seus passos.

Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga uma alegria nunca vista.
Procure visitar os empórios da Fenícia
Vá às cidades do Egito,
aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.

Não perca Ítaca de vista
pois chegar lá é seu destino.
Mas não apresse seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos
e seu barco só ancore na ilha
quando você já tiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.

Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.
Ítaca já lhe deu uma bela viagem;
sem Ítaca, você jamais teria partido.
Ela já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.

Se no final, você achar que Ítaca é pobre,
não pense que ela lhe enganou.
Porque você tornou-se um sábio, viveu uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.
"

Konstantinos Kavafis (1863 - 1933)

[Victor Hugo é: Odisseu]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu te amo (?!?!)

"..., o amor conversou comigo: "Eu sou o tudo e o nada. Sou como o vento e não consigo entrar onde as janelas e as portas estão fechadas."
Respondi ao amor: "Mas eu estou aberto para ti!"
E ele disse-me: "O vento é feito de ar. Existe ar na tua casa, mas está tudo fechado. Os móveis vão encher-se de pó, a humidade acabará por destruir os quadros e manchar as paredes. Continuarás a respirar, conhecerás uma parte de mim - mas eu não sou uma parte, eu sou o todo, e isso não conhecerás nunca." "

Penso: Por um mundo melhor: Não use o nome do amor em vão.

[Victor Hugo é: भगवद्गीता]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

2º Desabafo de Carnaval - A Festa

Como foi feito pelo Thiago Escobar no ano passado, vou usar das belas palavras do mestre Chicão para soltar o desabafo de Carnaval 2010.

"Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano


Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano


Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade


No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança"

Sonho de um carnaval - Chico Buarque de Hollanda 

"Deus nos dê fígado, pois ainda temos o planeta inteiro pela frente!"

P.S.: Por causa do recesso de carnaval, não sei quando voltarei a postar. Provavelmente, só mesmo na semana seguinte às festas. Então... Boa Folia, pra quem é de folia!
 
[Victor Hugo é: Mambembe... Cigano...]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Amizade

É, Vinição... Você não tem jeito mesmo. Sempre dizendo tudo o que sinto, mas minha eloquência (ou falta dela...) não me permite expressar.


"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos .
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"
"A gente não faz amigos, reconhece-os."
Vinícius de Moraes


Paz profunda a todos os seres!

[Victor Hugo é: -... ou queria ser?- Poetinha Vagabundo]

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Noite Negra da Alma

Aí vai uma mensagenzona [Hê-hê] do DelDebbio para os que tiveram um início de ano... digamos... Desagradável.

Retirado do site http://www.deldebbio.com.br




A Noite Negra da Alma

Que é a Noite Negra da Alma? Trata-se de um termo há muito usado pelos místicos para denotar certo estado emocional e psicológico, assim como para indicar um período de testes por que todo mortal passa alguma vez em sua vida. Essa Noite Negra da Alma é caracterizada por uma série de fracassos; o indivíduo experimenta muitas frustrações. Qualquer coisa que o indivíduo se propõe a fazer parece carregada de incertezas e obstáculos. Não importa o quanto ele tente ou que conheci­mentos aplique, o indivíduo se sente amarrado. Quando prestes a se concretizarem, as oportunida­des parecem escapar de suas mãos. Coisas com as quais ele muito contava, não se realizam. Seus pla­nos tornam-se estáticos e não se concretizam. Ne­nhuma circunstância lhe oferece solução ou enco­rajamento quanto ao futuro. Este período é reple­to de desapontamento, desânimo e depressão.

Durante esse período, o indivíduo sente-se for­temente tentado a abandonar seus mais acalenta­dos ideais e esperanças, tornando-se extremamente pessimista. O maior perigo, contudo, é sua tendên­cia de abandonar todas aquelas coisas às quais atribuía grande valor e importância na vida. Ele pode achar que é inútil continuar seus estudos místicos, suas atividades culturais e sua afiliação a entidades filantrópicas. Caso ceda a essas tentações, estará realmente perdido. De acordo com a tradição mística, este é o período em que a fibra da personalidade-alma é testada. Suas verdadeiras convicções, sua força de vontade e seu merecimento de maior iluminação são colocados à prova. Se o indivíduo sucumbe a essas condições, embora a frustração e o desespero possam diminuir, ele não conhecerá o júbilo da verdadeira conquista na vida. Daí por diante, sua existência poderá ser medíocre e ele não experimentará verdadeira paz interior.

Não se trata de algum tipo de punição imposta ao indivíduo. Como evidenciam os ensinamentos místicos, não é uma condição cármica. É, isto sim, uma espécie de adaptação que o indivíduo deve fazer dentro de si mesmo para evoluir a um nível mais elevado de consciência. É uma espécie de desafio, uma espécie de exigência de que a pessoa re­corra à introspecção e promova uma reavaliação de seus ideais e objetivos na vida. Uma exigência de que a pessoa abandone interesses superficiais e se decida sobre o modo em que deve utilizar sua vida. Não significa que o indivíduo deva abandonar seu trabalho ou meio de vida, mas, que ele deve reestruturar sua vida futura. A Noite Negra o faz perguntar-se sobre quais as contribuições que ele pode fazer à humanidade. Faz com que ele descubra seus pontos fracos e fortes.

Se a pessoa fizer esta auto-análise durante a Noite Negra ao invés de apenas lutar contra suas frustrações, toda a situação mudará para melhor. Ela passa a ter domínio sobre acontecimentos que concluiu serem meritórios. Mais cedo ou mais tarde, então, advém a condição que há muito os místicos chamam de Áureo Alvorecer. Subitamente, parece haver uma transformação: a pessoa torna-se efervescente de entusiasmo. Há um influxo de idéias estimulantes e construtivas que ela sente poder converter em benefícios para sua vida. Todo o novo curso de sua existência é promissor. Em contraste com as condições anteriores, sua nova vida é verdadeiramente áurea no alvorecer de um novo período. Acima de tudo, há a iluminação, o discernimento aguçado, a compreensão de si mesmo e de situações que antes não compreendia.

Aqueles que não têm conhecimento deste fenômeno mas que no entanto perseveram e superam a Noite Negra da Alma, tomam-se algo confusos pelo que lhes parece uma transformação inexplicável em seus afazeres e obrigações. Particularmente estranho lhes parece o que acreditam ser alguma energia ou combinação de circunstâncias externas que produziu a mudança. Eles não percebem que a transformação ocorreu em sua própria natureza psíquica como resultado de seus pensamentos e vontade.
Quando é que começa a Noite Negra da Alma? Em que idade ou período da vida ela ocorre? Podemos responder que normalmente ela se sucede ao fim de um dos ciclos de sete anos, como 35, 42, 49, 56, 63… anos de idade. Ela ocorre com mais freqüência no fim do ciclo dos 42 ou 49 anos, e muito raramente aos 63 ou além.

Quanto tempo ela dura? Em verdade ninguém pode responder esta pergunta pois sua duração é individual. Depende de como a pessoa tenha vivido; de seus pensamentos e ações. Contudo, enfatizamos uma vez mais: A Noite Negra não advém como punição pelo que a pessoa possa ter feito no passado, mas, sim como um teste do merecimento de penetrar no Áureo Alvorecer. Talvez quanto mais circunspecto seja o indivíduo, quanto mais sincero ele seja na busca de realizar nobres ideais, tanto mais cedo sua determinação e seu verdadeiro caráter serão postos a prova pela Noite Negra da Alma.

Por quanto tempo tem a pessoa de suportar es­sa experiência? Isto também varia de acordo com o indivíduo. Se ele resiste, se não sucumbe à tentação de abandonar seus hábitos, prática e costumes meritórios, a Noite logo termina. Se, porém, ele sucumbe, entrega-se à estagnação profunda e abandona seu melhor modo de vida, então a Noite pode continuar em diferentes intensidades pelo resto de sua vida.

Deve-se compreender, repetimos, que esta não é uma experiência ou fenômeno que ocorre somente para os estudantes de misticismo. Aliás, ela não guarda relação direta com o tema do misticismo, exceto pelo fato de ser um fenômeno natural, psicológico e cósmico. Os místicos o explicam; os outros, não. Os psicólogos, por exemplo, dirão que se trata de um estado emocional, uma depressão temporária, um estado de ânimo que inibe o pensa­mento e a ação da pessoa, o que explica os fracassos e as frustrações. Eles procurarão encontrar algum pensamento, alguma repressão subconsciente para explicar tal estado. Como dissemos, a Noite Negra ocorre na vida de todo mundo, independentemente de a pessoa conhecer ou não algo de misticismo. É bem provável que você tenha conhecido alguma pessoa que passou por esse período. As coisas para tal pessoa pareciam redundar em fracassos, a despeito de quanto esforço ela fizesse. Então, algum tempo depois, es­sa pessoa tomou-se bem sucedida, feliz, parecendo ter outra personalidade.

Entretanto, o indivíduo, por sua própria negligência, pode acarretar condições semelhantes às da Noite Negra. Uma pessoa preguiçosa, indolente, descuidada, indiferente e sem senso prático acarretará muitos fracassos à sua própria vida. Ela pode lastimar-se de sua sina a outros, e, se conhecer algo a respeito, poderá mesmo dizer que está passando pela Noite Negra. Mas saberá que a falha está em seu próprio interior.

A diferença entre esta pessoa e o indivíduo que está realmente passando pela Noite Negra está em que o último, pelo menos a princípio, sinceramente procurará enfrentar cada situação e aplicar seu conhecimento até que chegue a compreender que está bloqueado por algo maior que sua própria capacidade. A pessoa indolente, porém, sempre sabe que é indolente, quer isto admita ou não. A pessoa negligente sempre sabe que negligenciou o que deveria ter realizado. A pessoa descuidada que é as­sim por hábito, sabe que não vai muito longe e que comete muitos erros. - AMORC




 Então é isso, queridos. Feliz ano novo!

[Victor Hugo é: Uma estrela.]

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

XXI

E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY - O Pequeno Príncipe


Desculpem pela recente falta de inspiração. Mesmo assim o universo e as pessoas próximas conspiram para que a cabeça não fique vazia (ou cheia somente com os problemas), presenteando-me com belas leituras.

A questão que mais me deixa encucado é a que tudo o que eu ando lendo (fora os textos acadêmicos, lógico) sempre se encaixam com a situação pela qual estou passando, bem como as músicas e até mesmo alguns filmes. Por isso me pergunto: são eles que caem no nosso colo no momento oportuno? Ou será que nós "moldamos o texto" de acordo com a nossa vivência? Seja lá o que for, essas leituras só andam me fazendo um bem tão grande quanto as pessoas que estão perto de mim nessa fase de transformação e revisão de conceitos.

Em homenagem eu gostaria de mandar um salve (chatão, né?): Quero mandar um salve para o universo (que alguns chamam de Deus) lá da xurupita. Um salve para os amigos que me cativaram. E um salve aos autores de todos estes textos.

[Victor Hugo é: O Pequeno Príncipe]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A fórmula de Dan Brown

Por: Fausto Spósito, Filipe Pontes e David Michelsohn

Após destrinchar a fórmula que Dan Brown utiliza para escrever seus Best Sellers, aplicamos o método em uma história que se passa no Brasil. Os principais elementos contidos nos livros do escritor estão presentes na história a seguir. Este é um texto de ficção. Os eventos citados não são reais. Os nomes dos personagens foram utilizados para fins humorísticos.

Cena 1

Rio de Janeiro, 13 de julho de 2009, 20h17. O corpo do cortador de grama Manuel Bueno Parrudo é encontrado em um anexo da sala do almoxarifado do estádio do Maracanã. Ele trabalhava há mais de 40 anos no local e conhecia todos os cantos do complexo. A polícia fluminense logo descartou a hipótese de acidente. Manuel apresentava claros sinais de asfixia e havia vestígios do crime por toda a sala. Gavetas reviradas, papéis queimados e farelos de biscoito Globo sobre a bancada.

Convidado para uma palestra sobre semiótica na Pontifícia Universidade Católica do Rio, o professor Robert Langdon aproveitava seus últimos dias na Cidade Maravilhosa. Em companhia de uma prima distante, visitava o Museu do Futebol, no Maracanã, quando deparou com a cena do assassinato.

Ao entrar na sala do crime, notou que a máquina utilizada para aparar a grama do estádio ainda estava suja. Dirigiu-se às cabines de imprensa. Do alto, pôde ver a seta desenhada no gramado. Ela apontava para uma das bandeirinhas de escanteio. Langdon desceu as escadas rapidamente e entrou no corredor que dá acesso à geral. Invadiu o campo vazio e escavou o local apontado. Com as mãos sujas de terra e grama, encontrou um papel amassado com uma frase aparentemente sem sentido: “Lagarto antes Sedosa, hora venenoso.”.


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Cena 2

Rio de Janeiro, 14 de julho de 2009, 2h34. Lagndon passa a noite em claro tentando decifrar a frase ambígua. Desce ao bar do Hotel Copacabana Palace para espairecer e pede um suco de cupuaçu. Encontra a ex-jogadora Milene Domingues e resolve desabafar. Chocada com o crime, Milene revela que Parrudo era como um pai pra ela e se compromete a ajudar na investigação. Langdon mostra o bilhete a Milene. Eles discutem durante horas, mas não chegam a nenhuma conclusão. O dia já está raiando, quando o professor percebe que a frase é um anagrama. Após inúmeras tentativas, chega ao enigma original: “O Santo Graal está onde só o Senhor vê”.


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Cena 3

Rio de Janeiro, 14 de julho de 2009, 7h05. Langdon e Milene pegam um táxi e seguem para o Corcovado. Burlam a segurança e invadem a maior estátua de Cristo do mundo. De mãos dadas, sobem as escadas que levam à cabeça do monumento. Notam uma pequena portinhola no olho direito do Cristo Redentor. Cuidadosamente, Langdon abre o compartimento e encontra o que brasileiros procuram há décadas: a taça Jules Rimet.

O troféu foi roubado duas vezes na história. A primeira, no dia 20 de Março de 1966, durante a Copa da Inglaterra, vencida pelos ingleses. Após os três títulos conquistados pelo Brasil (58, 62, 70) a taça veio definitivamente para o País do Futebol. No dia 20 de dezembro de 1983, o troféu foi roubado pela segunda vez da sede da Confederação Brasileira de Futebol. Durante anos, especulou-se que a taça havia sido derretida, mas Langdon desvendou o mistério e encontrou o mais importante símbolo das conquistas futebolísticas brasileiras.

Ainda empolgada com a descoberta, Milene percebe uma pequena abertura na parte inferior da Jules Rimet. Ela gira a base da estátua e encontra uma espécie de pergaminho que revela uma grande conspiração para controlar o futebol mundial. Os vencedores das Copas do Mundo se alternavam entre sul-americanos e europeus desde a competição de 1966, quando a taça foi roubada pela primeira vez e os ingleses, inventores da modalidade, sagraram-se campeões do mundo. E o mais incrível: o velho documento apontava que o Brasil seria campeão da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, mas perderia pela segunda vez a Copa do Mundo em casa, em 2014:

Os Confrades da Bola de Fogo

1966 (Inglaterra/Europa) – Campeão: Inglaterra (europeu)
1970 (México/América) – Campeão: Brasil (sul-americano)
1974 (Alemanha/Europa) – Campeão: Alemanha (europeu)
1978 (Argentina/América) – Campeão: Argentina (sul-americano)
1982 (Espanha/Europa) – Campeão: Itália (europeu)
1986 (México/América) – Campeão: Argentina (sul-americano)
1990 (Itália/Europa) – Campeão: Alemanha (europeu)
1994 (Estados Unidos/América) – Campeão: Brasil (sul-americano)
1998 (França/Europa) – Campeão: França (europeu)
2002 (Coréia do Sul e Japão/Ásia) – Campeão: Brasil (sul-americano)
2010 (África do Sul/África) - Campeão: Brasil (sul-americano)
2014 (Brasil/ América) - Campeão: França (europeu)



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Cena 4

Rio de Janeiro, 15 de julho de 2009, 13h22. Langdon decide levar a Jules Rimet ao Museu de Futebol, no Maracanã, e entrega ao ex-presidente da FIFA, João Havelange. Aparentemente feliz com o retorno da taça, ele diz que vai protegê-la e a coloca em uma redoma de vidro no pavilhão central do local.


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Cena 5

Rio de Janeiro, 16 de julho de 2009, 15h15. Langdon vai com Milene ao Pão de Açúcar para aproveitar seus últimos dias no Brasil. O dia está nublado e eles são os únicos passageiros do bondinho. Pouco antes de a porta fechar, Daniela Cicarelli, ex-mulher do atacante Ronaldo, entra no bondinho. Langdon logo nota o saco de biscoitos Globo em sua bolsa. Assustada com a repentina aparição da modelo, Milene pergunta:
- O que você está fazendo aqui?
Cicarelli apenas diz:
- Vocês foram longe demais!
A modelo ataca Milene com seus lábios carnudos. A loira se esquiva e desfere um golpe na nuca de Cicarelli. Uma agarra o cabelo da outra. Langdon assiste atônito, ouvindo gritos de “ele era meu”, sem compreender o que está acontecendo. O bonde balança. Mais ágil, Milene derruba e domina Cicarelli. A dupla conduz a ex-mulher de Ronaldo à delegacia.


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Cena 6

Rio de Janeiro, 16 de julho de 2009, 20h11. Na delegacia, Cicarelli abre o jogo. Fala sobre a Ordem dos Confrades da Bola de Fogo, sociedade secreta que decide quem ganha e quem perde no futebol mundial desde a Copa do Mundo de 1966. Ela confessa que foi convocada para desestabilizar o atacante Ronaldo nas Copas de 1998 e 2006. Além disso, ainda assume o assassinato do cortador de grama Manuel Bueno Parrudo a pedido da organização e diz: “Ele sabia demais!”. Queima de arquivo, exatamente como Langdon suspeitava. Apesar da pressão dos investigadores, Daniela não revela a hierarquia da sociedade secreta.


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Cena 7

Rio de Janeiro, 16 de julho de 2009, 22h33. Langdon e Milene decidem voltar ao estádio do Maracanã para falar com João Havelange. Ao entrar no salão principal do Museu do Futebol, deparam com uma cena sombria. Ajoelhado, o velho João Havelange contempla a taça Jules Rimet. Eles contam ao senhor de 93 anos de idade tudo o que acabou de acontecer. Ele não esboça reação. Milene e Langdon se entreolham. Langdon observa a a semelhança entre a face esculpida na taça e o rosto do ex-soberano da FIFA. Justo ele! A quem eles tinham confiado a segurança do troféu – João Havelange é o Venerável Mestre Cartola da Ordem dos Confrades da Bola de Fogo. Com ira nos olhos, Havelange revela a hierarquia da organização secreta:

Venerável Cartola: João Havelange
Cartola Mestre: Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e outros presidentes de federações
Cartola Conselheiro: Eurico Mirando, Alberto Dualib, Márcio Braga, Luiz Gonzaga Belluzzo e outros presidentes de clubes
Cartola Aspirante: Emerson Leão, Vanderlei Luxemburgo, Diego Maradona e outros técnicos de futebol

Havelange abre calmamente os botões do paletó e tira uma pistola de ouro. Milene grita, enquanto Langdon tenta se proteger do outro lado do pavilhão. Havelange dispara. Langdon se atira no chão e bala atinge a Jules Rimet. A agonia de Havelange ao ver o troféu despedaçado deixa tudo mais claro para Langdon. Era ele quem manipulava os resultados do futebol mundial desde 1966. Ele tenta se matar, mas é impedido por Milene Domingues. Havelange é detido pela polícia, mas antes de entrar no camburão, dá seu último e agonizante grito: “O Brasil jamais será campeão mundial em casa!”.

Este é um texto de ficção. Os eventos citados não são reais. Os nomes dos personagens foram utilizados para fins humorísticos.

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Esse texto foi retirado do site da revista época e indicado pelo leitor Dayverson Borges.

Robert Langdon no Rio de Janeiro... Isso daria um best seller. Poderia ser escrito tanto pelo Dan Brown, quanto pelo Jô Soares.

[Victor Hugo é: Bola de fogo, e o calor tá de matar.]

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

575 - Nós, aeronautas do espírito

Todos esses ousados pássaros que voam para longe, para bem longe - é claro! em algum lugar não poderão mais prosseguir e pousarão num mastro ou num recife - e ainda estarão agradecidos por essa mísera acomodação! Mas quem poderia concluir que à sua frente não há mais uma imensa via livre, que voaram tão longe quanto é possível voar? Todos os nossos grandes mestres e precursores param, afinal, e não é com o gesto mais nobre e elegante que a fadiga se detém: assim também será comigo e com você! Mas que importa a mim e a você! Outros pássaros voarão adiante! Esta nossa idéia e crença porfia em voar com eles para o alto e para longe, sobre diretamente acima de nossa cabeça e de sua impotência, às alturas de onde olha na distância e vê bandos de pássaros bem mais poderosos do que somos, que ambicionarão as lonjuras que ambicionávamos, onte tudo é ainda mar, mar e mar! - E para onde queremos ir, então? Queremos transpor o mar? Para onde nos arrasta essa poderosa avidez, que para nós vale mais que qualquer outro desejo? Por que justamente nessa direção, para ali onde até hoje todos os sóis da humanidade se puseram, desapareceram? Dirão as pessoas, algum dia, que também nós, rumando para o Ocidente, esperávamos alcançar as Índias - mas que nosso destino era naufragar no infinito? Ou então, meu irmãos? Ou então?

Nitzsche - Aurora

Como não devo aparecer por aqui durante o final de semana, fica aí uma mensagenzinha do Frederico.

[Victor Hugo é: Aeronauta]

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O milagre da lavagem de dinheiro

Já se perguntou como é que se lava dinheiro? Bom, o Túlio Vianna nos ensina como fazê-lo em seu blog. Segue o texto:

Suponha que você é um traficante de drogas. Você mora na favela e ganha rios de dinheiro traficando drogas. Gostaria de viver no asfalto e investir seu dinheiro em negócios legalizados como imóveis, carros e ações, mas sabe que se comprar estes bens pode despertar a curiosidade da Receita Federal e acabar acusado de sonegação fiscal. Por outro lado, você não pode declarar sua renda e recolher o imposto de renda, pois a origem da grana é ilícita. Conclusão: seu dinheiro sujo não serve pra muita coisa, pois, se você resolver gastá-lo, poderá levantar suspeitas.

Então, num belo dia, você tem uma brilhante idéia: montar uma lavanderia na favela. Sim, uma lavanderia na favela não parece ser um negócio muito lucrativo, pois a maioria dos moradores lava sua roupa no bom e velho tanque. Mas é aí que vem o pulo do gato: esta lavanderia não serve para lavar roupas, mas para lavar dinheiro. Você não tem fregueses, mas inventa notas fiscais diariamente como se sua lavanderia fosse a mais requisitada da cidade e, por via das dúvidas, deixa as torneiras ligadas, para caso alguém resolva conferir a conta d’água. E o mais importante: você paga todos os seus impostos pelas lavagens de roupa fictícias rigorosamente em dia.

Parabéns! Com este pequeno estratagema você transpôs a sutil fronteira que separa um asqueroso traficante de drogas de um respeitado microempresário do ramo de lavanderias.

Ah! Você não tem vocação para dono de lavanderia? Então monte um outro negócio qualquer na área de prestação de serviços. Serviços espirituais, por exemplo! Que tal uma igreja evangélica? A principal vantagem em relação à lavanderia é que você terá imunidade tributária e não precisará emitir notas fiscais para as doações fictícias recebidas. E, se você for um sujeito talentoso, poderá inclusive ganhar algum dinheiro com doações reais de seus fiéis. Com o dinheiro das drogas somado às doações de seus fiéis, em pouco tempo, você será um pastor respeitado por toda a sociedade brasileira.

O problema de lavar dinheiro por meio de uma igreja é que, em tese, você só poderá gastá-lo em obras de caridade e para o sustento da própria igreja. Nada de investi-lo em empresas com fins lucrativos. Se o negócio crescer muito e você não mais se contentar em ter bons imóveis e bons carros, terá que lavar novamente o dinheiro para adquirir empresas com fins lucrativos.

Uma solução é remeter este dinheiro para o exterior e lá criar empresas que emprestem dinheiro para brasileiros. Assim, o dinheiro poderá voltar para o Brasil legalizado a título de empréstimo e, finalmente, você poderá investi-lo em empresas com fins lucrativos no Brasil.

Tudo muito complicado? Pois é! Imagine a dificuldade que a polícia e o Ministério Público terão para provar toda esta lavação de roupa suja em juízo.

Pronto, você já sabe lavar dinheiro, em lavanderias e igrejas. Tente imaginar agora como lavá-lo vendendo pintura abstrata ou jogando na loteria.

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ADVERTÊNCIA: Este é um post didático, com a mera finalidade de explicar para leigos o crime de lavagem de dinheiro. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.


Divirtam-se ficando ricos. ۩

[Victor Hugo é: O Poderoso Chefão! Capiche?]

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Assinatura de Jesus Falsificada?!?!?

Aqui se faz, aqui se paga. Segundo relato do portal uai.com.br, a Igreja Universal do Reino de Deus, já famosa por seu amor aos bens alheios, foi condenada judicialmente a devolver todos os dízimos e doações feitas pelo ex-fiel Walter Soares Oliveira, portador de enfermidades mentais permanentes. A ação foi aberta pela mãe de Luiz, revoltada em ver, todos os meses, o salário de seu filho ser sugado pela instituição em trocas de promessas extraordinárias de prosperidade e saúde.

A gota d’água foi quando Luis trouxe para casa o “diploma de dizimista”, contendo a suposta assinatura pessoal de ninguém menos do que Jesus Cristo. A essa altura, afastado do trabalho pelo agravamento da sua doença, Soares emitia cheques pré-datados para as doações, numa espécie de alavancamento espiritual que nunca deu nenhum retorno.

O valor do montante a ser retornado deve passar dos 50 mil reais. Mas o juiz ponderou que a incapacidade mental do fiel só estava comprometida a partir de 2001, portanto a igreja não será obrigada a devolver valores doados antes desse período.

Calado como sempre, o príncipe da paz não abriu queixa contra a igreja.

Fonte: http://www.deldebbio.com.br/

Não condeno a fé de ninguém, mas esta notícia mereceu lugar aqui no Salada.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Desabafo

Quando O Carnaval Chegar - Chico Buarque

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Então que Deus me segure e o Diabo me ajude, que o carnaval chegou!